Foto: Pisaniello
1-Qual sua naturalidade?
Natural de Belo Horizonte - MG (só nasci lá), mas fui criado e passei toda minha infância e adolescência em São Francisco (norte de Minas Gerais), então posso dizer que sou dessa cidade.
2-Nome de batismo?
Albert Roggenbuck Neto
3- Qual sua idade e com quantos anos você se tornou a Dindry?
Essa pergunta é de verdade? Digo que Drag Queen não tem idade, é atemporal, afinal posso ser o que quiser e ter a idade que quiser, já sou uma balzaquiana (risos) A personagem Dindry tem uns 14 anos.
4- Sabemos que você é formado em Comunicação Social, você exerce algum trabalho na sua área paralelo aos shows como Dindry?
Paralelamente ao meu trabalho como Drag Queen atuo como design gráfico criando algumas artes para boates e festas na cidade de São Paulo e algumas cidades do Brasil e escrevo algumas matérias para alguns sites LGBT além de atuar como militante e ministrar Oficinas de Sexo Seguro, afinal, também sou um agente de prevenção.
5- Como é sua rotina, é fácil conciliar dois papéis, como Albert e Dindry?
Minha rotina é seguinte: os trabalhos como drag queen são mais de fins de semana, sendo que os fins de semana as vezes começam na quarta, quinta (risos), a maioria na parte da noite, tem as exceções, que ocorrem a tarde ou de manhã, paralelamente a isso, de dia mesmo concilio com alguns trabalhos de design, jornalista e maquiagens também.
6- Quanto custa ser uma Drag Queen?
É um pouco caro, envolve maquiagens (que não são nada baratas), perucas (as drags funcionam mais com perucas de canecalon, afinal os penteados exagerados ficam mais bonitos), produção (dá pra reciclar alguns modelos, mas é um pouco caro), fora os sapatos (difícil achar um número pequenino (risos) para o meu pezinho 41 e quando acha, o preço são os olhos dá cara)!
7- Hoje no Brasil e no mundo já existem escolas que ensinam a ser uma Drag, muitos defendem que a Drag já nasce com essa aptidão artística e não é necessário ensiná-las. Qual sua opinião sobre essas escolas?
Precisamos muito aprender sobre esse universo; afinal se eu tivesse tido um suporte no começo, o caminho percorrido seria bem mais fácil. Ninguém nasce sabendo maquiar, se portar, se vestir, andar de salto... É de vital importância esse trabalho de "educação para ser uma drag queen". Talento é algo nato, mas quando se molda o talento e se aprende mais e mais o profissional fica maravilhoso. Esse ano fui convidada pela Associação da Parada de São Paulo para ministrar uma Oficina para drags inciantes - "Linha de Montagem - Nasce uma Drag Queen" e junto com outras profissionais da área (Sissi Girl, Lully Cow e o ator Eduardo Moraes) vamos falar sobre a história do movimento drag, como se maquiar, se vestir, se portar, mercado de trabalho.... vai ser muito legal. Afinal ser drag é uma profissão também e como em qualquer área que se quer ingressar, exige profissionais bem treinados e qualificados. Muitos pensam que é apenas colocar um modelo, um perucão e sai dando close, é bem mais que isso!
8- Você teve incentivo moral e financeiro no começo da carreira?
Minha maior incentivadora foi a minha mãe, hoje com 79 anos. Se não fosse ela investir financeiramente e dar o total apoio, não seria o que sou hoje.
9- Pensou em desistir em algum momento? Se sim, o que a fez continuar?Pensei sim, no começo tudo é difícil. Como em qualquer ramo, tem as panelinhas, você não consegue fazer shows nas boates, até ter o nome reconhecido e seu trabalho também, é complicadíssimo. Se não fosse por dois grandes amigos que sempre acreditaram e mim e sempre me dão forças - Ivo Brasil e Roberto Silva (meu afilhado de crisma), teria jogado minha peruca e meus saltos no lixo. Lembro ainda da primeira casa noturna que trabalhei como hostess e que me projetou na noite paulistana - Freedom, meu nome ficou tão associado a casa que muitos pensavam que eu era a dona, e quando não ia "trabalhar", por fazer show em outra cidade a maioria dos clientes perguntava por mim!
10- Você tem algum sonho? Qual?Queria tanto que as pessoas respeitassem mais o ser humano em sua essência, seria tão mais gostoso de viver. já pensou eu podendo ir trabalhar de metrô e ônibus. Apesar que já fui algumas vezes, mas em horários de pouco movimento!
11- O que muda no Albert quando ele se transforma em Dindry?Praticamente 80% de mim muda. Fico mais extrovertido, sensual, atirado, falante...
12- Albert e Dindry são muito diferentes?
É a água e o vinho
13- Você se inspirou em algum artista para criar a personagem?
As Divas do cinema e da TV e algumas mulheres que admiro.
14- Você hoje é bastante conhecida e tem seu trabalho reconhecido, o que veio junto com a fama, mudou alguma coisa em você?
Em mim nada mudou. Continuo a mesma pessoa de sempre. O que veio junto com esse reconhecimento todo é que as pessoas explicitam mais um carinho por mim e isso massageia muito o ego, penso que de qualquer ser humano.
15- Tem alguém especial que você gostaria de agradecer, que foi ou é importante na sua carreira?
Deus, por ter me dado esse dom maravilhoso de levar alegria a tantos lares e pessoas; minha mãe Maria da Conceição, porque se não fosse por ela, a Dindry não existiria; meus amigos Ivo Brasil (que fez meu primeiro modelo) e Roberto Silva (quantas tardes ele vinha em casa pra me ensinar a andar de salto com um livro na cabeça, ensaiar coreografias, a idéia do nome também foi dele...), Sissi Girl (uma referência para mim nos telegramas e vários trabalhos como drag queen e atualmente minha parceira de trabalho) e Eduardo Moraes (que me ajudou e muito a me projetar na mídia em geral).
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